sábado, 17 de outubro de 2009

HAGGARD LANÇAMENTOS






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(1994) - Worlds Progressive Technology? (Haggard)

As aventuras do metal com a música clássica já são antigas. Ritchie Blackmore, Yngwie J. Malmsteen, posteriormente Therion e incontáveis conjuntos, lutaram bravamente para mostrar que a união dos dois estilos era possível e, mais do que isso, salutar. O “neo-clássico”, porém, passou a ser considerado maçante e repetitivo, e perdeu boa parte de sua base de fãs com o passar dos anos.
Quando o Haggard surgiu em 1994 com o EP “Progressive” indicando o reencontro das duas, aparentemente, distintas vertentes, muitos torceram o nariz, pensando se tratar de mais do mesmo. Porém, o que propunha a banda de então dezenove membros, liderada por Asis Nasseri, ia bem além do que fora visto e escutado até então. Com as composições já prontas a expectativa era de levar o barroco de Monteverdi e Corelli às guitarras distorcidas de Tony Iommi, e o classicismo vienense de Mozart e Haydn aos vocais extremos de Chuck Schuldiner e Cronos.
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Formada por 15 músicos (isso mesmo!) o Haggard é uma das mais geniais bandas surgidas no cenário nos últimos tempos. Misturando os mais variados instrumentos (harpas, violinos, uma sessão de sopro) e diversos vocais, que variam do lírico ao gutural, a banda faz uma mistura única entre doom metal tradicional, gothic metal e música erudita. A banda parece um encontro de Beethoven com o antigo My Dying Bride.
Este disco é o primeiro full lenght da banda, apresentando 8 faixas divididas em cinco "capítulos". O disco é conceitual, mas isto é o que menos importa aqui. Na primeira faixa "The Day as Heaven Wept" a banda já mostra a que veio. Com uma introdução acústica belíssima, onde violões, violinos, flautas e harpas soam hipnóticos, esta faixa cai para um doom metal arrastado e guiado pelo vocal cavernoso de Asis Nasseri (que também toca guitarra e é uma espécie de líder do grupo). Em seguida "Origin of a Crystal Soul" já começa como um doom metal tradicional, pontuado por intervenções de flauta e cordas, tudo bem acompanhado pelo peso da sessão rítmica típica do doom metal. O coral dá um toque a mais, transformando uma música já incrível em algo surreal. Lá pelo meio da música, surge um piano que vai ficar guardado na memória daqueles que possuem um mínimo de sensibilidade por muito tempo. Tudo isso sem abandonar o vocal gutural. É quase inacreditável mesmo.
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(2000) - Awaking The Centuries

O reconhecimento veio aos poucos, e o grupo se consagrou de fato com “Awakening The Centuries” (2000), listado em quase todo o mundo como um dos melhores álbuns do ano de seu lançamento.
Quatro anos depois e com dezessete integrantes - incluindo Michael Schumm (tímpanos / tambores), Mark Pendry (clarinete), Fiffi Fuhrmann (tenor / krumhorn), Gaby Koss (soprano), Veronika Kramheller (soprano), Kathrin Herts (violoncelo), Hans Wolf (piano / órgão / címbalo), Andreas Peschke (tenor / flauta), Judith Marschali (violino), etc – Nasseri realiza o sonho de contar a história de Galileo Galilei em “Eppur Si Muove” (2004), lançado pela Hellion Records no Brasil.
O que podemos ouvir são todos os movimentos de uma sinfonia desempenhados por uma orquestra completa e competente, que alcança os objetivos do início de carreira do Haggard, no aliança de barroco, clássico, e metal.
A versão nacional conta ainda com um DVD bônus, privilégio de poucos povos, dentre os quais italianos, alemães e brasileiros, com o vídeo clipe de “In A Pale Moon’s Shadow”, e a apresentação da banda inteira no histórico Wacken Open Air 1998 para um público simplesmente embasbacado com o sonho gigantesco que se transformou em realidade.
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(2001) - Awaking The Gods - (live in Mexico)

Parece meio louco juntar esse tanto de gente e sair em tour (eles já tocaram até no México, gravando inclusive um home video/DVD desta apresentação), mas não funcionaria de outro modo. Se fossem apenas teclados ou sintetizadores reproduzindo o som dessa gama de instrumentos, o Haggard seria apenas mais uma banda em meio a uma infinidade de outras que alegam possuir influências de música erudita. O diferencial é justamente esse: não apenas dizer que gosta de música erudita, mas encontra maneiras inteligentes de mesclá-la com o metal. Quem ainda tem dúvidas a respeito da viabilidade desta mistura, ouça "In a Pale Moon´s Shadow", onde os violinos são brilhantemente acompanhados por uma levada de dois bumbos e onde corais belíssimos fazem o background para urros assustadores.
Mesmo correndo o risco de a resenha ficar um tanto apaixonada, eu não tenho outro modo de finalizá-la a não ser dizendo para você, que chegou até aqui, comprar, encomendar ou roubar este disco, que, infelizmente, não possui versão nacional.
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(02/02/05) - Eppur Si Muove - Haggard

ao mesmo tempo em que fazem algo absolutamente corriqueiro no mundo da música pesada (acrescentar elementos de música erudita ao seu som), são simplesmente uma banda sem precedentes. A nova formação conta com dezesseis músicos, reunidos para contar a história de Galileu Galilei e a sua saga para fugir das garras do Tribunal do Santo Ofício. O título é uma alusão à frase que Galileu teria, supostamente, pronunciado após renunciar suas convicções científicas em favor do fixismo adotado pela Igreja Católica (“contudo, se move”).
Novamente, o grande destaque são os vocais. São quatro cantores, que variam do épico ao gutural, passando pelo canto lírico operístico numa alternância que invariavelmente pega o ouvinte de surpresa. O grande destaque nesse sentido é o iraniano Asis Nasseri, que além de ser o mentor da banda, é o responsável pelos mais incríveis vocais guturais que eu já ouvi. A inteligência com que essa variabilidade é explorada impressiona o ouvinte e ajuda a tornar a experiência de ouvir o Haggard realmente inesquecível.
O Haggard cresceu muito como um conjunto apesar das inevitáveis mudanças de formação. Nada menos que 12 integrantes deixaram a banda desde o álbum anterior, Awakening the Centuries, de 2000. É muito difícil comentar com brevidade um álbum tão complexo quanto esse. Apesar disso, a uniformidade é alcançada, sobretudo, na exploração da vertente clássica. Vai muito além do mero acréscimo de instrumentos clássicos à música. É indispensável a presença de oboés, violinos, violas e toda a parafernália utilizada pela banda. Mesmo nas músicas mais rápidas. “Of a Might Divine” resume bem isso. É a música mais rápida de Eppur si Muove, mas não prescinde de violinos muito melódicos e uma sessão de sopro lindíssima. O Haggard é inexplicável justamente por isso. As faixas mais rápidas são justamente as que mais deixam transparecer a necessidade da linha clássica da música. Ouça e tente não se emocionar com os belos vocais femininos de “Herr Manneling”, uma matadora versão para uma tradicional canção alemã. Numa palavra: perfeito.
Uma outra coisa que eu não posso deixar de comentar é a inteligência da banda na hora de explorar a temática. Esse é o terceiro disco de estúdio e, a exemplo dos outros dois, também é conceitual. Os recursos utilizados para contar a história de Galileu são os mais diversos. Além da óbvia potência sonora proporcionada por uma orquestra metálica, o Haggard utiliza-se de pelo menos quatro idiomas para narrar a história (latim, inglês, italiano e alemão).
A versão brasileira desse CD (finalmente alguém ouviu minhas preces) vem com o DVD bônus lançado na Europa e traz a apresentação deles no Wacken Open Air de 1998 (note a platéia. Todos estão boquiabertos!) e o vídeo promocional de In a Pale Moon Shadow, do álbum And Thou shalt trust...the seer. Vale o investimento.
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Ao contrário dos registros anteriores, que utilizavam personagens ou fatos da história da humanidade, suas novas composições têm como tema uma ficção que acontece num mundo imaginário batizado como Ithiria, cujo personagem central relembra seu passado de batalhas e perda de entes queridos. Merece citação que há inúmeros interlúdios entre as músicas, inesperadamente narrados por ninguém menos do que Mike Terrana (Rage, Masterplan), eternamente conhecido pela sua fúria atrás de uma bateria.
A música erudita está mais forte do já que foi apresentado em qualquer registro do Haggard. Na realidade, não seria de todo equivocado dizer que o Heavy Metal é apenas um complemento por aqui. E, apesar de toda a fantasia heróica, paixão e tensão estarem envoltos por maciços coros (que estão melhores do que nunca!), um exército de violinos, violoncelos, celos, etc, e devidamente amparados pelo contrapeso da instrumentação tipicamente metálica, não vá o leitor tirar a precipitada conclusão de que “Tales Of Ithiria” seja mais um destes álbuns que mais parecem essas manjadas trilhas sonoras de Hollywood...
Não mesmo! A sonoridade geral desta banda é grandiosa, mas longe de apresentar toda aquela extravagante pompa bombástica dos tradicionais enlatados norte-americanos. A dinâmica é toda diferente, pois Nasseri sempre buscou uma verdadeira diversidade cultural, tanto que, apenas como complemento, novamente seus vocalistas fazem uso de várias línguas para desenvolver a estória.
Assim sendo, e ainda que penda para o lado mais melancólico, a audição transcorre de forma a transmitir uma gama de emoções, tendo em “La Terra Santa” ou “The Sleeping Child” ocasiões realmente magníficas. Ainda que tente se adaptar ao contexto geral do repertório, a única ressalva ficaria por conta da bonita “Hijo De La Luna”, que se destoa de tudo o que o Haggard já apresentou. Mas não é algo que realmente comprometa, pois deve ser levado em consideração que esta faixa é um cover do pop espanhol Mecano.
A sempre instável formação do Haggard agora conta com 20 músicos, além de nove convidados que participaram do processo de gravação de “Tales Of Ithiria”. Exagero? De forma alguma. Novamente, tudo é em prol de um álbum que provavelmente constará na história do Heavy Metal contemporâneo. E, ainda que a comparação com o Therion sempre possa surgir, é inegável que as composições dos alemães possuam uma profundidade que certamente encontrará maiores afinidades junto a um público mais adulto.
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